- Theo, vo... você quer dizer então que....
- Sim, você está grávida Mônica. E é nosso filho.
- Mas, mas... eu...
Mônica, num misto de surpresa, alegria e assombro, coloca a mão na testa e caminha de um lado ao outro do porão.
Do caixão encostado na parede quer participar da conversa também.
- Caralho, já pensou? De noite essa criança chorando e eu tendo que carregar pra lá e pra cá e eu nem comi a mulher? Puta merda viu?
- E, e agora?!
- A situação se complicou muito, eu pensei que poderia ficar para acompanhar tudo e tentar descobrir o que aconteceu com as outras cidades mas não será possível.
- Você vai me abandonar?!
Theo se aproxima de Mônica e tenta acalma-la, mas dessa vez sem usar de artimanhas persuasivas, apenas o tom de conforto transmitido pela sua voz suave.
- Se eu não fizer isso agora, talvez nunca mais possamos nos ver. Se eu partir enquanto tenho tempo, pode haver uma chance. Confie em mim.
- Eu não sei porque mas nunca duvidei.
- Ai meus sais! Quanto doce! Vou ficar doente desse jeito!
- Mas porque você precisa ir?
- As pessoas não sabem o que acontece ao redor delas, Mônica, a única saída e encontrar explicações absurdas para tudo. Elas nunca aceitariam a verdade como ela é.
- Talvez se você me deixasse contar!
- Eu já presenciei pessoas serem queimadas vivas apenas por tentarem convencer a maioria de que estavam enganados sobre o nascer do sol. Não lute contra eles.
- O que devo fazer?
- Deixe-se levar. Aceite. Concorde com o que dirão, mesmo que isso signifique se humilhar. Acredite, isso vai tornar sua vida menos amarga.
- Mas, depois de tudo o que me contou. De tudo o que eu vi. Como vou continuar sozinha?
- Não estará sozinha. Agora temos uma ligação que excede barreiras, mortais ou não.
- Blá blá blá... Dá licença vocês que eu vou dormir aqui.
Theo retira uma peça do bolso e entrega-a a Mônica.
- Segure isso com força, um tempo depois da minha partida. Será muito importante que eu saiba como você está e como andam as coisas por aqui.
É uma joia brilhante, que Mônica segura firmemente na mão.
- Agora me escute. Eu tenho um plano.
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