sexta-feira, 28 de novembro de 2008

Réquiem abandonada

Theo deixa o local onde estava abrigado, ele caminha solitário lembrando-se da última noite de amor que passara com Mônica.
Ele lhe deu esperanças de que pudessem se ver novamente mas, no fundo, pensa que talvez se distanciar dela seja o que de melhor ele possa fazer pela garota no momento.
Ele se lembra da ultima conversa deles.

-Mônica, até que eles são bons, conseguiram atrasar a Crrist um pouco.

- Então era aquilo que você fez cair nas chamas naquele dia?

- Sim, o Excomungador que está com vocês, ele não parece de todo o mal.

- Ela está fugindo.

- Sim, vocês ganharam tempo.

Theo se lembra de se afastar da janela.

- Mônica, eles acredito que eles vão levar vocês para uma nova "camada" desta cidade. Eles não teriam poder para sair deste círculo mas provavelmente conseguiriam manifestar um novo. Hm, interessante nunca pensei que isso fosse possível.

- O que quer dizer, Theo?

- Não importa docinho, mas vocês ganharão um bom tempo. Realmente os dois alí vão ajudá-los no final.

- Mas, se fugirmos daqui, como encontrarei com meu filho desaparecido?

- Mônica, talvez essa seja a resposta. Talvez ele esteja seguro. Existe uma chance de seu filho estar justamente onde o Excomungador e o Juan levarão vocês.

- Você está de brincadeira!

- Não, não estou. Parece que chegou a hora. Vá, docinho. Lembre-se da joia sempre que quiser falar comigo.

Theo deixa as memórias de lado enquanto se aproxima do local onde ele acha que Crrist está refugiada, uma caverna muito especial que Theo conhece muito bem.

- Que merda, vou assumir esse risco mas preciso dela agora.

Theo enche os pulmões

- Crrist! Eu sei que está aí! Adivinha quem apareceu para fazer uma visita?

Fogo sai do buraco na pedra, não existe palavra, apenas a presença de um espírito em chamas de fúria e desejo de vingança.
Crrist na sua real forma chega a assustar Theo, mas a sua nova condição, livre da maldição do caixão, lhe deixa mais próximo ao poder que possuía outrora. Se quizesse enviaria Crrist para o abismo em instantes, mas não era essa sua intenção.

- Estou fraca... aproveita então e me destrói, como fugiu da Cruz de San Sebastian?

- Ah, minha cara, eu nunca estive nela!

- Você é ardiloso! Vamos nos vingar deles não vamos? Vamos acabar com essa palhaçada juntos?

- Nada disso, Crrist. Eu vim trazer você de volta.

Theo escuta um murmurar grave e profundo.

- Agora é sua chance de se redimir com a gente e voltar a Sede comigo.

- Eu não estou com vocês há tempos, eliminei vários de vocês em troca do poder do inferno, como pode me propor uma coisa dessas agora?

- Os moradores dessa cidade estão seguros, assim como as crianças. Não precisa mais relutar, Crrist. Ainda tem lugar para você. Tenho certeza de que se formos juntos para lá, o conselho vai te aceitar de volta.

Crist fica em silêncio e Theo consegue vê-la tomando sua forma antiga novamente. Talvez pela falta de poder em manter as chamas da fúria initerruptas por tanto tempo.
Ela cai ao chão e Theo é capaz de vê-la pelo leve reflexo do sol escarlate.

- Eu... aceito.

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